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Tema:
"Como viver hoje para amar sempre"
Os
jovens presentes, neste Encontro-Peregrinação, tiveram
um papel muito importante apresentando uma comunicação
que foi recebida com aplausos pelos participantes e que
resultou da reflexão do texto "O
Jardim das Tartarugas"
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jardim das tartarugas
(Bruno Ferrero)
Perspectivas de leitura
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Vocação
‑
Aparência
-
Personalidade
Um rei
dos tempos antigos tinha, à volta do seu palácio, um
imenso jardim onde vivia e prosperava uma população de
grandes tartarugas, que se movimentavam lentamente da
sombra para o sol, e do sol para a sombra, olhando o
mundo, um pouco desencantadas, com os seus olhinhos.
Um
dia. ao jardim das tartarugas desce uma cotovia. Estava
cansada por causa do calor e da longa viagem migratória.
Pousou num ramo, à sombra de algumas folhas frescas. As
tartarugas acharam‑na tão engraçada que começaram a
saudá‑la:
‑ Que
lindas penas! Que graciosas patas! Que bico delicado!
Certamente que esta ave é das mais belas que existem!
A
cotovia, confundida, para lhes agradecer cantou‑lhes a
canção mais suave e brilhante do seu reportório. As
lentas tartarugas ficaram extasiadas:
‑ É
uma artista! Que talento! Que gorjeios e que sentido do
espectáculo! Estupendo! Magnífico!
Choveram os aplausos. Uma tartaruga propôs:
‑
Peçamos‑lhe que fique a viver connosco!
As
outras aceitaram com entusiasmo. E tanto insistiram, que
a cotovia acabou por ficar. A cotovia começou uma vida
muito diferente da que estava habituada.
Durante o dia, voava alto no céu e ao cair da tarde
regressava para junto das suas pacatas companheiras.
Fazia então um pequeno concerto, que enchia de sonhos
maravilhosos as cabecinhas das tartarugas. Depois iam
todas dormir: a cotovia num ramo e as tartarugas nas
suas carapaças axadrezadas.
Deste
modo, porem, a avezinha aparecia apenas de manhã e ao
pôr do sol. Então as tartarugas reuniram‑se em conselho
e a mais idosa disse:
‑ É
uma pena que a cotovia esteja tão pouco tempo connosco!
Devemos encontrar um modo de a ter connosco durante mais
tempo!
As
outras responderam:
‑
Dizes bem. Mas pertence à sua natureza voar alto, ir
para longe. Será por isso impossível convencê‑la a ficar
sempre na nossa companhia.
A
tartaruga idosa disse:
- Eu, pelo contrário, penso que conseguirei.
Deixem‑me experimentar.
Ao pôr
do sol, quando a ave desceu e saudou as amigas, a
esperta tartaruga chamou-a à parte e disse-lhe:
-
Minha cara cotovia, tu és para todas nós como uma filha.
Gostamos tanto de ti que perguntámos ao Rei das
Tartarugas como fazer-te feliz, e ele respondeu-nos que
a felicidade máxima, nesta terra, consiste em viver com
os pés bem assentes no chão. E se não nos deixasses
nunca e desistisses de voar? Que achas?
A
cotovia respondeu:
- Mas
eu sou uma ave e não posso viver de outra forma. Todos
os que têm asas devem voar para as alturas!
Disse
a tartaruga:
-
Falas bem e dizes a verdade. Mas as aves merecem a nossa
compaixão. Voar é tão cansativo! Todos os animais, e
também tu, não desejam outra coisa senão descansar e ter
a barriga cheia. E depois, nunca pensaste que o falcão
podia capturar-te ou um caçador ferir-te com as suas
setas?
A
cotovia, pensativa, acabou por responder:
- Acho
que tens razão, minha amiga. Mas como posso vencer eu a
minha natureza? Que devo fazer para ficar aqui sempre
convosco?
A
velha tartaruga, toda contente, sugeriu-lhe que
arrancasse todos os dias uma pena das suas asas.
-
Pouco a pouco, voar ser-te-á cada vez mais difícil, e no
final deixarás sem te dares conta. E depois viverás
connosco no jardim, poderás beber água fresca, comer a
fruta e a salada que os homens nos dão todos os dias.
Como viveremos felizes, sem ânsias, sem preocupações!
Desde
aquele dia, a cotovia começou a arrancar uma pequena
pena todas as manhãs. No final, encontrou-se com as asas
completamente depenadas.
Agora
não podia levantar voo, mas em compensação que paz e que
boas refeições! A cotovia esgravatava e picava no chão
como um frango. Engordava e divertia-se a brincar com as
tartarugas. Tinham acabado, finalmente, as canseiras
matutinas para voar em direcção ao sol em círculos
concêntricos, trinando como as outras cotovias. Já não
inventava canções novas. Até que um dia, no jardim,
apareceu uma doninha faminta. Quando viu uma gorda
cotovia que saltitava entre as tartarugas, não quis
acreditar. Inicialmente escondeu-se na erva, com medo
que fosse uma armadilha. Mas depois viu que era mesmo
verdade: a cotovia movia-se apenas com pequenos saltos.
A doninha, com a água acrescer na boca, resmungou:
- Isto
sim, isto é mesmo uma comida real!
0 ágil
predador saiu fora da erva. A cotovia deu-se conta e
começou a gritar:
-
Socorro, tartarugas!
Mas as
suas amigas, aterrorizadas, esconderam-se cada uma na
sua carapaça.
Então
a ave tentou enfiar-se numa das couraças, mas lá dentro
não havia lugar. A doninha tinha-a ferrado com as suas
robustas mandíbulas e arrastava-a consigo. A cotovia
ouviu que, de dentro das carapaças, saíam choros e
lamentações. Gritou:
-
Afinal não fazeis fazer outra coisa senão chorar? As
tartarugas responderam em coro:
- Cara
filha, a doninha é mais veloz que nós e tem os dentes
aguçados! Não podemos ajudar-te!
Disse
então a cotovia:
- Está
certo. De cotovia transformei-me em tartaruga, renunciei
à minha única salvação, as asas. Dei ouvidos aos
estúpidos e aos medrosos, e agora mereço o meu fim!
Depois
escondeu a cabeça sob as asas e resignou-se à sua sorte.
SUGESTÕES
METODOLÓGICAS
1. Comentar as atitudes das
tartarugas e da cotovia.
2. Qual a mensagem central desta
história ?
3. Poderemos nós renunciar à nossa
vocação?
4. A que me sinto chamado, para não
perder as asas que Deus me deu?
5.
As tartarugas de hoje podem ser os mass-media a
tentar impor comportamentos que nos impedem de voar.
Concordam? Exemplos do quotidiano dos jovens.
6. Quais são as maiores tentações que
sentimos?
Não deixes de ser quem és, amado por
Deus!


COMUNICAÇÃO DOS JOVENS AO
ENCONTRO-PEREGRINAÇÃO
A
reflexão, sob orientação do casal Leopoldina e Júlio
Paiva, realizou-se na Casa Cónego Formigão em Fátima,
com o grupo de jovens da paróquia de Santiago de Bougado
– Trofa (Diocese do Porto), constituído por dez
elementos entre os 14 e os 27 anos.
Reflectimos sobre o texto que nos foi proposto, que
contava a história de um grupo de tartarugas tristonhas,
que conseguiu convencer uma linda e encantadora cotovia
a arrancar uma pena cada dia, das suas asas, por forma a
não mais voar e assim ficar para sempre na companhia das
tartarugas, onde havia alimento em abundância.
Mesmo
tendo que renunciar à sua natureza, a Ave aceitou o
desafio, não reflectindo muito sobre a atitude que iria
tomar.
Quando
já não era capaz de voar e estava bem gorda, a cotovia
foi ameaçada violentamente por uma doninha. Pediu
socorro às suas “amigas” tartarugas, mas não a puderam
ajudar. Abandonaram-na!
A
cotovia teve então um triste fim! Morreu!
Em
grupo tentamos perceber melhor a mensagem do texto,
reflectindo sobre as atitudes das tartarugas e da
cotovia e sobre os ensinamentos que podemos tirar para a
nossa vida, ao ouvir esta história.
Para
nós, as tartarugas são personagens egoístas e
possessivas, que apenas se preocuparam com elas mesmas e
desejaram a alegria e a jovialidade da cotovia.
Ainda
que não quisessem causar a morte à Ave, as tartarugas
procuraram insistentemente encontrar a felicidade que
não tinham, à custa da jovem cotovia. Pensaram somente
no bem delas, ignorando por completo a Ave e o que lhe
poderia suceder no futuro.
Por
seu lado, a cotovia mostrou-se muito influenciável e com
uma personalidade frágil. Rapidamente se
descaracterizou, face às facilidades que aparentemente a
vida lhe propunha.
Temos
que nos ajustar ao meio em que nos inserimos, mas nem
sempre é fácil saber onde está o nosso limite, de
maneira a não deixarmos de ser nós mesmos.
A Ave
foi perdendo lentamente as penas, pelo que não se
apercebeu das mudanças graduais que foram sucedendo e
que se mostraram desastrosas para ela.
O
caminho mais fácil não é de todo o mais enriquecedor e
seguro.
Subjugarmo-nos às facilidades não é o trajecto mais
correcto, pois mais cedo ou mais tarde haverá sempre
algo que nos mostre que errámos, tal como aconteceu com
a cotovia.
Seguir
uma vocação pode não ser uma opção simples e linear, uma
vez que as pressões externas podem levar-nos a soluções
superficiais. É fundamental que nos conheçamos bem e
tenhamos grande apoio, sobretudo da família, que
esperamos que esteja sempre do nosso lado.
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Jovens da paróquia de Santiago de
Bougado – Trofa
Orientação do casal Leopoldina e
Júlio Paiva |
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Podemos renunciar à nossa vocação, o que muito
provavelmente nos fará morrer por dentro, um pouco cada
dia, na sequência de diversas frustrações e desilusões,
que vamos acumulando ao longo do tempo. Chegamos a um
ponto que pode ser tarde para recomeçar.
Deus
tem um grande projecto para nós: sermos felizes e fazer
felizes os outros, por isso nos deu asas, para que
possamos voar no sentido desse grande sonho.
Que
fazer então para pôr os nossos talentos a render?
Na
sociedade ocidental actual, fruto da velocidade tão
acelerada da vida, os jovens sofrem de uma profunda
falta de tempo e vontade para “parar para pensar”. É
muito importante escutar verdadeiramente o que nos vai
cá dentro e então assimilar com mais sucesso toda a
informação relevante, que todos os dias nos chega do
exterior.
“Escutar o coração” faz-nos conhecer o que somos e como
somos, porque todos somos diferentes e ninguém reage da
mesma forma.
Somos
chamados a absorver novos conhecimentos que nos permitam
consolidar os grandes valores e questionar outros, por
forma a progredirmos saudavelmente.
Podemos oscilar entre diversas posições, mas sempre
voltando a uma posição estável, que permita que o nosso
edifício se mantenha fiel ao seu projecto.
Pensamos que actualmente as tartarugas da nossa
sociedade são representadas pelos mass media (em
particular a TV que nos faz crer que não há regras e que
tudo é normal e moralmente aceitável), a moda, a
publicidade, os jogos, a alimentação, as diversões, as
personalidades famosas, etc.
Assim,
as grandes tentações dos jovens são o sucesso e a fama,
que muitos tentam alcançar a todo o custo, porque tantas
vezes na base não está o Amor, mas antes a rejeição.
Todos temos a necessidade ser desejados e compreendidos
no seio do nosso grupo, seja ele a família, os amigos ou
o trabalho!
Torna-se simples desejar resultados fáceis, que
requeiram pouco dispêndio de tempo!
É pois
essencial tomar por modelos as grandes referências
familiares da nossa vida, para não cedermos à ligeireza,
que por vezes camufla os acontecimentos importantes da
vida e dessa forma não nos aconteça o mesmo que à
cotovia: a perda da sua essência!
Como
dizia Victor Hugo: “A felicidade suprema na vida é a
convicção de sermos amados.” |