Encontro Peregrinação - Março de 2006

Conclusões dos Jovens

 

Pistas de reflexão para os jovens

1.      Olhando o que se passa à vossa volta, que avaliação fazeis em relação à fidelidade aos compromissos, ao matrimónio e a outros âmbitos da vida social e pessoal?

2.      As novas gerações estarão a ser motivadas e preparadas para a fidelidade aos compromissos assumidos, nomeadamente o compromisso matrimonial? Os jovens de hoje ainda pensam em casa, respeitando o compromisso conjugal selado por um vínculo jurídico (civil ou religioso)? Que dúvidas e receios sentem os jovens perante o casamento? 

3.      Será mais fácil para os que vivem a fé cristã manterem-se fiéis ao matrimónio num amor exclusivo e para sempre, do que para aqueles que não têm fé? Porquê? O que lhes dá a sua condição de cristãos de diferente em relação aos outros? 

4.      Que gostaríeis de receber por parte dos vossos pais e da Igreja como contributo para a construção da vossa liberdade e responsabilidade no amor? Que propostas fazeis às vossas paróquias e movimentos?

 Conclusões

O grupo de jovens constituído por 15 elementos das dioceses do Porto e de Viseu, reuniu no dia 4 de Março de 2006, pelas 22 horas, na Casa Nossa Senhora das Dores, em Fátima, para debater as pistas de reflexão sugeridas no Encontro – Peregrinação Nacional do CPM.

Foi para nós um excelente momento de reflexão e julgamos que algumas questões tratadas poderão constituir, também para vós casais, uma boa ocasião de discussão.

Inicialmente ficámos algo surpreendidos com a complexidade do que nos era pedido, mas com a abertura da discussão tudo se facilitou.

Os jovens deparam-se com inúmeros compromissos, nomeadamente:

  • Assumir os actos que realizam e todas as suas consequências

  • As actividades de grupo

  • A inter-ajuda ao próximo

  • As tarefas em casa

  • Auxílio e cooperação com os pais

  • O afecto para com o próximo

 Verificámos que existe um enfraquecimento de valores, que conduz ao facilitismo e a uma flexibilidade exagerada, o que leva a uma grande relativização dos compromissos e ao decréscimo do seu valor na sociedade.

A falta de responsabilidade e honra levam a que a ruptura de compromissos não seja punida e como tal se banalize.

Torna-se pois, comum que a maioria dos jovens tome decisões precipitadas: “Experimenta-se, usa-se e depois logo se vê!”

Achamos que os compromissos sérios têm a sua base na família e exigem um esforço contínuo por parte de cada um de nós. Ainda que o caminho seja complicado, acreditamos que a compensação surgirá a longo prazo.

Com a maturidade que vamos adquirindo ao longo dos anos, o assumir de compromissos pode tornar-se mais simples, mas há sempre um certo receio destes, quando são mais complexos e que envolvem algum risco. Falamos por exemplo do matrimónio. Todavia, o nosso anseio é mantermo-nos fiéis aos nosso projecto de vida e esforçarmo-nos para alcançá-lo o melhor possível.

A atitude responsável para nós é lutar pelos compromissos, independentemente de estes serem mais ou menos complexos.

O medo impede-nos de viver uma vida saudável e repleta de boas experiências.

É essencial possuir espírito de sacrifício e muita perseverança para mantermos os nossos objectivos de pé.

Quando nos perguntam se achamos que estamos a ser preparados para a fidelidade, nós jovens sentimos bastante défice nessa preparação.

Tanto os meios de comunicação social como alguns meios educativos tentam (com bastante sucesso) transmitir a ideia que certos valores deixaram de ser actuais e que já não é importante ser fiel aos nossos princípios, que não é relevante criar um projecto de vida e seguir com ele afincadamente.

Notamos que muitas vezes “ser fiel” está fora de moda, que não leva a lado nenhum.

No nosso grupo de reflexão achamos exactamente o contrário: ser fiel é acima de tudo ser verdadeiro com nós mesmos e por isso respeitar a nossa essência como seres humanos.

A transmissão do valor da fidelidade nas famílias desagregadas, onde os pais estão ausentes ou sem tempo para os filhos, é muito complicado, senão mesmo impossível.

A fidelidade requer espaço, tempo, compreensão e muita paciência de todas as partes.

Não se é fiel por qualquer razão... é-se porque se acredita que esse é o verdadeiro caminho que conduz à felicidade e à verdade suprema.

Felizes os que vivem no seio de famílias onde reina o diálogo e o perdão, pois destes nichos de Amor surgem pessoas convictas dos seus compromissos, com vontade e força para enfrentar os obstáculos com alegria.

Reflectimos um pouco mais especificamente sobre o casamento. Embora o grupo fosse formado por jovens com idades bastantes dispares, o assunto foi abordado com serenidade.

Concluímos que o matrimónio só faz sentido se for religioso. Deus é parte integrante de uma relação a dois, que se deseja séria e sólida. A existência dos valores da família levam a que a decisão de casa deva ser bem ponderada, o que exige uma boa preparação prévia, em que se privilegie o conhecimento do outro.

No casamento o importante não é o espectáculo, mas sim o amor no casal. É um acto a dois, não isolado da sociedade, mas em que o pilar essencial assenta em Jesus.

Questionámo-nos sobre o que será a “pessoa certa”. Percebemos que este é, sem dúvida, um tema que de certo modo nos preocupa, dada a grande incerteza de que se reveste.

É crucial que haja um tempo de conhecimento do outro... o tempo de namoro, que deverá ser de grande atenção e esforço conjunto para descobrir o outro na sua essência.

A pessoa certa não é igual a mim... é antes aquela que caminhará lado a lado comigo, que será fonte de crescimento mútuo.

Para nós, o casamento é para toda a vida, embora saibamos que tomar esta decisão envolve sempre algumas incertezas. Nunca conheceremos o outro a 100%. “Não separe o Homem o que Deus uniu.”

Assusta-nos não ter a certeza se “estamos a ter o namoro de forma correcta”, se o futuro com a outra pessoa será como tanto sonhamos.

O medo que o outro envelheça só surge se nos basearmos unicamente em critérios físicos.

No casamento, parece-nos algo complexo aceitar a ideia de que o outro possa não ser capaz de enfrentar os obstáculos colocados ao casal, que não tenha a força e o desejo necessários a permanecer no caminho do conhecimento mútuo.

Julgamos que é difícil mostrar os nossos defeitos. Todavia sabemos que num bom namoro eles surgirão naturalmente e se na verdade houver amor entre os dois, cada um saberá tornar esses defeitos em mais valias, ajudará o outro a crescer e a não desistir do outro apenas porque ele não é igual a mim.

A este respeito, compreendemos que por vezes o encantamento do tempo de namoro pode ser um sedativo, que nos impossibilita de ver o outro tal como ele é e assim conhecê-lo inteiramente. Quantas vezes não será precisa uma certa frieza para conseguir avaliar correctamente as situações criadas e delas apreender o que é realmente importante para a vida futura do casal.

Questionaram-nos igualmente sobre o facto de os cristãos poderem ter vantagens na sua fé, para melhor seguir um caminho de fidelidade no matrimónio.

Do nosso ponto de vista, para os seguidores de Cristo torna-se mais fácil manter a fidelidade, porque sempre podemos contar com o auxílio de Deus. Ele é o grande estímulo para permanecermos no nosso caminho de verdade. É assim que todos os dias Ele se manifesta nas nossas famílias.

Da Igreja e da sociedade esperamos que nos sejam transmitidos bons exemplos de vida, confiança e compreensão.

Desejamos que o amor e a responsabilidade nos sejam incutidos de forma prática. Mais importante do que nos dizerem como devemos ser felizes, queremos ver como os nossos pais e amigos são felizes. É esta a nossa escola... é nela que vamos absorver estes factos essenciais para a nossa vivência futura.

Achamos fundamental que os párocos demonstrem um interesse sincero em atrair os jovens aos ensinamentos de Cristo. Temos noção que a tarefa é árdua, contudo poderá ser coroada de muito sucesso!

Sentimos uma forte necessidade de uma maior abertura dos párocos, por forma a dinamizar a eucaristia e  os grupos de jovens.

Não acreditamos que a fé dos jovens esteja a desaparecer! Sabemos sim, que reina entre nós muito descontentamento e falta de informação, que se foi enraizando nos últimos anos, fruto, talvez de algum alienamento por parte da Igreja, face às novas formas de os jovens encararem a vida, mas não menos válidas.

Julgámos que a Igreja tem tudo para ir ao encontro dos jovens. Apenas precisamos de ser cativados! E não se trata de uma questão de idade por parte dos párocos, pois temos o maravilhoso exemplo de João Paul II, que apesar de todas as suas limitações sempre foi um marco incomparável na vida dos jovens do mundo inteiro.

São os corações ternos e seguros que vão ao encontro dos corações palpitantes e por vezes em desassossego, dos jovens.

Muito obrigada pela vossa atenção! Esperamos ter conseguido enriquecer um pouco o vosso dia e fazer-vos reflectir também em algumas questões pertinentes, que estamos certos não preocupam apenas os jovens, mas também os adultos.

Um agradecimento especial aos dois jovens casais que nos orientaram na nossa reflexão. As vossas experiências foram uma fonte excelente de enriquecimento e tornaram acesa a nossa discussão.

Obrigada pelas dúvidas que fizeram despertar em nós.