Encontro Peregrinação - Março de 2007

Conclusões dos Jovens

 

Pistas de reflexão para os jovens

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA A XXII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE - 1 DE ABRIL DE 2007

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 Conclusões

O grupo de jovens era constituído por 18 elementos, das dioceses de Braga, Porto e Viseu, dos quais 2 casais que contraíram o matrimónio há poucos anos e que em muito contribuíram para orientar a nossa discussão.

Ao contrário da maioria dos grupos, julgamos que esta reunião após o jantar é sempre muito produtiva, desde há já bastantes anos. É um momento extraordinário de convívio e partilha de experiências, o que nos permitiu potenciar o tema desenvolvido na tarde de ontem.

Tivemos alguma dificuldade em dar um rumo à nossa reflexão, porque nos foram disponibilizados bastantes textos e as questões que nos foram sugeridas eram em grande número e requeriam uma análise muito aprofundada.

Tendo por base a MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA A XXII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE abordámos o “Deus que é Amor” e a forma como o demonstramos em sociedade; o chamamento para o matrimónio e a sua preparação e a importância da oração e da eucaristia.

Foi-nos bastante complicado explicar o que é realmente o Amor, porque transcende o nosso racionalismo habitual.

Achamos que apesar da situação social em que vivemos actualmente, o Amor continua a ser possível, sobretudo se houver mais espiritualidade, apoio na família e maior ligação a Deus.

É mais difícil amar verdadeiramente, nos dias de hoje, pois há poucos corações abertos a Deus. Ele deu-nos um coração novo (que já não é de pedra) para que soubéssemos Amar.

A cultura tem evoluído com o tempo e por isso hoje questionamos algumas ideias e valores, de forma a buscar a verdadeira essência do que é ser católico.

Embora a nossa sociedade tente racionalizar tudo e mudar mentalidades, nós jovens continuamos a achar que Deus tem um lugar privilegiado na nossa vida. Não vemos Nele um Deus obscuro e castigador, mas um Deus que perdoa e é Amor.

Para nós, o Amor só é possível se houver perdão e fidelidade. Julgamos que construir pontes com os outros é a melhor maneira de facilitar o aparecimento do Amor autêntico! Ao pensar nos outros, sem ser egoísta, estou a criar a paz e então estou a ser um elemento gerador de Amor.

É incondicional que aos olhos de Deus, cada um de nós é especial.

Deus deu-nos dons para podermos ser felizes, mas não nos tira a liberdade de escolha.

Mas, se esse Amor de Deus é tão grande, como é que explicamos os problemas que surgem a cada um de nós e à Humanidade?

Acreditamos que os momentos de privação são fases de fortalecimento e crescimento, para tornar a vida mais grandiosa.

Imaginando que Deus seja o maestro de uma música, que tem notas harmoniosas, que se prolongam por mais ou menos tempo, Ele coloca também pausas, que embora sejam silêncios, ajudam a dar beleza a toda a composição musical.

Também na nossa vida, por vezes surgem essas pausas (uma doença, um conflito, um fracasso), para tornar a nossa existência mais bela e segura. As pausas servem para ganhar força para a grandiosidade da vida que se segue.

Quantas vezes esquecemos de agradecer essas “notas harmoniosas” a Deus e só nos lembramos de pedir a Deus que encurte essas “pausas” o mais possível, mas assim estaremos a tirar o significado à vida.

No nosso quotidiano é muito importante transmitir ao outro que Deus é Amor, o que nem sempre é uma tarefa simples.

Podemos demonstrá-lo, ajudando o próximo; amando aqueles que nos feriram; partilhando experiências enriquecedoras; levando um sorriso a quem mais precisa, mesmo naqueles dias em que isso é mais difícil; dando o nosso tempo, sem esperar receber nada em troca.

Vivemos numa sociedade com muito ruído, pelo que nem sempre estamos despertos para ouvir o chamamento de Deus.

O silêncio é muito importante. É nele que ouvimos a nossa consciência e conseguimos encontrar Deus na intimidade.

Por vezes o silêncio magoa e faz-nos encontrar os nossos medos, daí que tantos fujam dele.

São momentos de fortalecimento que nos levam a conhecermo-nos melhor. Só assim possuiremos um coração aberto para escutar o chamamento de Deus e teremos o terreno preparado para seguir em frente.

Se formos chamados ao matrimónio, estamos conscientes que esse será um longo e árduo caminho, mas igualmente belo e gratificante, se for bem preparado.

É importante termos uma “boa escola” no nosso lar, onde os valores do respeito, da fidelidade e do diálogo sejam transmitidos desde cedo. Eles são a base de um bom namoro e terão o seu reflexo, mais tarde, no matrimónio.

O namoro é um período crucial de conhecimento do próprio e do outro, para sabermos se uma relação tem potencial para ir em frente ou não. É uma descoberta de Deus no par. É uma fase de crescimento mútuo.

O noivado é uma fase mais avançada de conhecimento pessoal, onde se geram projectos mais objectivos a dois.

O fim último desta fase da vida é a preparação séria do matrimónio.

A castidade, tão importante no noivado, não inclui apenas a virgindade, mas também a fidelidade, o respeito pelo próprio e pelo outro, o espírito de sacrifício e de renúncia, o ser verdadeiro e a presença de Deus, porque “a casa precisa de bom alicerce na rocha”.

Para preparar o matrimónio é fundamental o diálogo aberto e sincero e não fugir aos problemas, que vão surgindo. São eles que fazem crescer e fortalecer o Amor verdadeiro.

São essenciais os valores da família cristã, onde o crescimento mútuo não significa anular o outro.

A presença de Deus é igualmente importante. Ele é o grande companheiro de todas as jornadas.

Para nós, a eucaristia é um sacramento, que representa a purificação de cada um de nós; é um momento de reunião em comunidade. Em comunhão com Cristo, onde vamos buscar os exemplos e a força para cada dia.

A oração tem também um papel muito relevante na nossa vida de cristãos e por isso julgamos importante melhorá-la. É um momento de diálogo íntimo com Deus… é estar com Ele. É reflectir e como tal reveste-se de um cariz muito pessoal, não tendo fórmulas estipuladas.

Assim, devemos aprofundar a intimidade com Deus, gerar mais silêncio interior e ter tempo para estar com Ele.

Não importa o local nem a hora em que oramos… importa sim a intenção que temos, pois a oração sem acção não tem qualquer valor!