|
Questões da Vida - 1
|
|
“Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua vida? Ou que poderá dar o homem em troca da sua vida?”(Mt. 16, 26). Já reparou que a vida, seja ela qual for ou de quem for, é um permanente perder e ganhar ou ganhar e perder? E porquê? Porque a nossa vida, em princípio, é orientada por uma opção fundamental, preenchida a cada instante, por um número ilimitado de muitas outras opções. Como dom primeiro e fundamental para que todos os outros possam existir e coexistir, é o dom dos dons. Nenhum outro o supera. Daí o seu valor. Supremo. Se a vida é o dom de que todos os outros dependem, estes, conforme aquelas opções constantemente tomadas, ou a enriquecem ou a empobrecem, ou a preenchem ou a esvaziam. Sendo assim tão essencial, tão importante, de tal modo que sem ela não somos, não existimos, onde está a sua origem e qual será o seu destino? Adivinho a sua resposta (ou não resposta) e a de todos os outros que estas linhas lerem. Mas a pergunta, como vê, não é para obter resposta e só simplesmente para o ajudar a pensar, a meditar nesse mistério que nos transcende a todos, sejam quais forem as nossas convicções: com ou sem resposta, crentes ou não. E dentro daquele perder e ganhar, a mesma vida tem o valor ou a falta dele, em função daquilo que se perde e ganha. Por outras palavras, a nossa vida tem o valor daquilo por que a damos, daquilo por que a perdemos. Como o fluir contínuo de um rio, não consente espaços nem intervalos. Seria a morte. Somos o que for a nossa vida. Mas não chega, não basta. É preciso ter consciência disso mesmo. E para tomar consciência disso é preciso tempo, mais tempo, muito tempo...! Onde está ele? Para viver é preciso que haja tempo e o tempo só existe porque vivemos. Vida e tempo não são dons com origem em nós próprios. Foram e continuam a ser-nos concedidos, sem sabermos até quando. Do aproveitamento do tempo e da escolha das nossas opções é que resulta a nossa grandeza ou a nossa pequenez. Que valha a pena. Pe. António Belo
|
|
|