Questões da Vida - 3

 

 

“Quem não sabe de onde vem..............”

A acomodação, a instalação, a adesão ao estabelecido pela maioria, o politicamente correcto, é o mais sedutor, o mais agradável e o mais fácil. Pelo contrário, o esforço pela mudança de mentalidade em tudo o que é verdadeiro e justo, o remar contra a maré, a coragem de ser minoria assumida, tudo isto tem poucos seguidores porque custa caro, muito caro.

Todos estamos cheios de incoerências e contradições. Em todos nós, a diferença entre aquilo que ensinamos e dizemos e aquilo que praticamos é muito grande e, por vezes, abismal. Somente um Homem houve em que a coerência era plena, total. Nele, a sintonia entre o que ensinava e fazia era perfeita, perfeitíssima. Nele, a Palavra era a Vida.

Mas uma coisa é o reconhecimento das nossas incoerências e contradições e a negação das mesmas; a aceitação das nossas fragilidades e a negação dos princípios que nos orientam e regem; a defesa do nosso património familiar, cultural e nacional e o desprezo, a delapidação ou negação do mesmo.

“Quem não sabe de onde vem, também não sabe para onde vai.” Somos porque outros o foram. Só existimos e somos assim porque outros houve, e durante muitos séculos, como nação, como povo, como país.

Através dos séculos, os nossos antepassados, a um tempo, herdaram e transmitiram, criaram e doaram, guardaram religiosamente e defenderam, com todas as suas forças, bens e valores que constituem a nossa maior riqueza e fazem parte da nossa própria identidade. Negá-los, seria a negação de nós mesmos. Seria como o filho que despreza e nega aqueles que o geraram ou o profissional que ignora e maldiz dos que o preparam para a vida e das instituições que o habilitaram.

Como nação e como povo, vivemos os valores de sempre e que atravessaram séculos. Muitos desses valores, através dos tempos, foram muitas vezes contestados e, curioso, quase sempre por aqueles que, oportunistamente, mais deles beneficiaram ou se aproveitaram.

Toda a nossa tradição e cultura é de matriz eminentemente cristã. Mas a Comunidade Europeia rejeita a referência ao cristianismo na sua Constituição e a maioria dos nossos parlamentares têm medo dos crucifixos e dos nomes dos Santos.

Eu, cá por mim, e não estou a brincar, mas a falar muito a sério, punha-os todos a trabalhar, mas a trabalhar mesmo, na Sexta-Feira Santa, na Festa do Corpo de Deus, na Assunção de Nossa Senhora, no Dia de Todos os Santos, no dia da Imaculada Conceição e no dia de Natal.

E, já agora....também todos os Domingos do ano.

Quem não sabe de onde vem...

Pe. António Belo

 

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