|
Questões da Vida - 4 A Revisão de Vida-1
|
|
Revisão de vida? Mas como? A vida é só uma e só se vive uma vez. Rever a vida é voltar a vê-la, é vê-la de novo. E se se trata de ver de novo é porque já se viveu, pertence ao passado, mas faz-se presente pela revisão. Com a maior objectividade possível, sem hiatos, sem divagações e avaliações. Mas, concretamente, o que é que se revê na revisão de vida? Precisamente tudo aquilo que a preencheu, e que é muito e muito variado, ainda que só naquele aspecto em que a considerarmos: os actos e as omissões, os factos e as circunstâncias, os êxitos e os fracassos, os problemas, as dificuldades e a superação dos mesmos. Rever a vida é aprofundá-la, é tentar dar-lhe sentido, é enriquecê-la. Aprofundá-la, para não vivermos à superfície de nós mesmos; dar-lhe sentido, para não perdermos de vista a meta que a todos transcende; enriquecê-la, procurando preencher cada momento de algo útil e válido. São três os principais inimigos da revisão de vida: a falta de tempo, a falta de humildade e a tentação de teorizar, de dar conselhos e lições de vida aos outros. O pretexto da falta de tempo por não a (revisão de vida) considerarmos importante; a falta de humildade, porque, como é natural, há em todos nós a tentação de parecer, ou então, de querer parecer ser o que não somos ou parecer mais e melhores do que somos; a tentação de teorizar, doutrinar e dar conselhos porque tudo isso é muito mais fácil do que (re)vermo-nos, interiormente, como que à transparência, em toda a verdade. Para aquilo que deveras se quer há sempre tempo; só somos alguma coisa neste mundo quando nos tornamos simples, humildes, pequeninos; a melhor lição, o melhor conselho e a melhor pregação é o testemunho autêntico, verdadeiro e sincero da nossa vida. A revisão de vida é o cerne, o miolo, a essência do C.P.M. Dela tudo depende. O C.P.M. será, necessariamente, inequivocamente, determinantemente, o que forem as revisões de vida de todos os casais. Necessariamente, porque sem revisão de vida não há C. P. M., é condição “ sine qua non”; inequivocamente, porque há um grande equívoco ao chamarmos C. P. M. àquilo que o não é; determinantemente, porque o que decide o interesse e a importância do C. P. M., quer para os casais quer para os noivos, é a existência e a qualidade das revisões de vida. Pe. António Belo
|
|
|